Barbudinhos
ultrapassados
Nenhuma
surpresa. Este compadre espiritual do Diogo Mainardi (perdoado
previamente de tudo desde que li sua linda tradução
de As Cidades Invisíveis), este paladino da vociferância
tucano-lacerdista, é figurinha velha, desde a Bravo!
(revista bourgeoise que em seus primórdios não
só empregava o folclórico Olavo de Carvalho
como destacava na agenda cultural do mês diversos concertos
e exposições em Paris, Nova York e Berlim sem,
estranhamente, franquear a seus leitores qualquer cupom de
desconto para as necessárias passagens aéreas),
um autoproclamado e sempiterno e invencível defensor
da Suprema Verdade Fukuyâmica. Reivindicando a posse
e a defesa da mesma, nosso herói vem usando em seu
blog, à guisa de epígrafe, um trecho de Robert
Musil (1880-1942) em tradução inepta e, como
se não bastasse, deu também para vestir um chapéu
panamá que lhe empresta fumos de coronel DEMocrata.
Em
quase todas as ocasiões em que pontifica sobre o imbróglio
em questão, Azevedo assume com garbo a triste função
de vivandeiro da invasão policial do campus, invocando
a preservação "democrática"
do patrimônio público, supostamente depredado
e ameaçado pela malta grevista. Conquanto falsa, como
alguns observadores independentes já constataram e
está documentado, esta é a principal razão
objetiva das sempre necessárias borrachadas. No plano
dos conteúdos, portanto, nada de muito inédito:
"O patrimônio! A propriedade (cada vez menos) do
Estado está ameaçada! Sangue! Gás de
pimenta! Bombas! etc."
Esforçado,
Azevedo ainda descobre, certamente lendo Aristóteles
e mobilizando suprema agudeza, que o movimento estudantil
é político. Pilhados fazendo política,
os estudantes merecem porrada justamente por assumirem posição
contrária àquela do ora governador. Assim, além
de detonarem, esbodegarem, aniquilarem o patrimônio
da universidade, os estudantes viram também –
sempre segundo o cujus – pérfidos meliantes políticos,
massa de manobra tosca e remelenta de barbudinhos ultrapassados
e vagabundos.
A
pontaria dos engenheiros
Essa
catilinária toda seria bastante cômica se não
fosse enfadonha. Pois não é preciso ser poliglota
para entender que o discurso de Azevedo, traduzido em calão,
matraqueia monotonicamente mais ou menos o seguinte: "A
Universidade e seu patrimônio podem e devem servir à
formação de quadros técnicos para as
bondosas organizações filantrópicas –
multinacionais, bancos, corretoras – que promovem o
progresso do nosso país, assim como aos princípios
democráticos defendidos com ardor pelo governador (via
secretário e reitora) e às elogiáveis
iniciativas das pequenas fundações que tão
desinteressadamente promovem o diálogo com a sociedade;
quando paira no ar, entretanto, a terrível ameaça
de um punhado grande de alunos simpáticos às
mentiras do PT, do PSTU, do PC do B, do PCO, da AJR, do MR-8,
da AP, da Colina, do Polop e da ALN (horror! horror! horror!),
a Polícia deve ser sempre chamada."
Haveria,
ainda bem!, segundo o nosso herói, tempo de evitar
a violência policial – da qual se infere, a certa
altura, que os professores que apóiam publicamente
o movimento serão cúmplices – isto é,
optar pela solução pacífica e ordeira,
que consiste em obedecer ao chamado: "Vamos, estudantes,
abracem enfim esta Verdade, parem de pensar, parem de se manifestar,
estudem, não acreditem nesses barbudinhos, formem-se
e venham trabalhar para nós, nunca esquecendo, é
claro, de continuar comprando a Veja".
Quanto
à April Inc., é mesmo lamentável a falta
de pontaria dos engenheiros da Linha 4...
Fonte:
Observatório da Imprensa –
www.observatoriodaimprensa.com.br