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Mas, apesar do estrondoso sucesso e de toda a publicidade
gratuita que ganhou mundo afora, o biquíni vendeu
muito pouco nos primeiros anos.
A peça exigia uma boa dose de audácia das
mulheres, que tinham vergonha de usá-la em público
e até mesmo como roupa de baixo. Fortes reações
surgiram de todas as partes.
O Vaticano divulgou uma nota, assinada pelo Papa Pio XII,
contra o uso do biquíni por mulheres católicas,
e vários países, como Itália, Portugal,
Espanha, França e Alemanha, chegaram a proibir o
traje em lugares públicos.
Foi o cinema, a partir da década de 50, que ajudou
a colocar o biquíni na moda, com atrizes de corpos
esculturais, em filmes clássicos como A um Passo
da Eternidade, de 1953, com Deborah Kerr, ou E Deus Criou
a Mulher, de 1956, com Brigitte Bardot.
No Brasil do final dos anos 50, quando as vedetes Carmem
Verônica e Norma Tamar usavam a peça nas areias
da praia, em frente ao Copacabana Palace, formavam-se verdadeiras
multidões.
O presidente Jânio Quadros, durante seu meteórico
governo, em 1961, baixou uma lei que proibia expressamente
o uso do biquíni.
Em 1984, Louis Reard morreu na miséria. Além
de não ter ficado rico, como imaginava, teve sua
invenção contestada por um costureiro famoso,
Jacques Hein, que afirma ter criado o pequeno maiô
durante a Segunda Guerra Mundial, e batizado a peça
de Átomo.
A polêmica, no entanto, parece inócua, pois
o biquíni, na verdade, já é usado desde
a antiguidade, como provam os mosaicos de Villa Romana del
Casale, um sítio arqueológico próximo
de Piazza Armerina, na Sicília, Itália.
Ali, os mosaicos denominados Bikini Girls, mostram mulheres
em trajes similares ao biquíni, fazendo exercícios,
correndo ou recebendo a palma da vitória, após
vencer competições atléticas.
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