ECOS DA TRAGÉDIA
Apagão aéreo, apagão jornalístico
Por Alberto Dines em 18/5/2007
Comentário para o programa radiofônico
do OI, 18/5/2007
O apagão aéreo corre o risco de tornar-se
um apagão jornalístico. Mesmo com a instalação
no Senado da sua CPI destinada a contrabalançar
a força do governo na CPI da Câmara, está
parecendo que a mídia não está
conseguindo destrinchar e desdobrar as evidências
que já começam a aparecer.
Há poucos dias, o delegado da Polícia
Federal Renato Sayão revelou que há fortes
indícios de uma "atitude culposa" em
três controladores de vôo na tragédia
do vôo 1907. Mesmo que a Aeronáutica tente
minimizar a acusação, ficou claro que
as falhas dos pilotos do Legacy poderiam ter sido neutralizadas
pelas torres de controle em Brasília e Manaus.
Isso derruba a tese que o ministro da Defesa, Waldir
Pires, vem defendendo há sete meses ao jogar
toda a culpa nos pilotos e isentar os controladores
– aliás, funcionários do seu ministério.
A verdade é que a nossa imprensa não
está conseguindo costurar estas evidências.
A mídia, sobretudo a eletrônica, foi mal
habituada pelas CPIs de 2005 e 2006, quando bastava
ligar as câmeras e microfones para que fossem
revelados fatos de arrepiar os cabelos.
Com os holofotes quase desligados, os jornalistas têm
agora uma oportunidade de ouro para mostrar o que pode
fazer uma imprensa ágil e cônscia de suas
responsabilidades.
Fonte: Observatório da Imprensa – www.observatoriodaimprensa.com.br