No mundo real, tanto o som quanto a
imagem (luz), são sinais analógicos. O processo
de digitalização consiste na conversão
de um dado analógico para um formato de representação
digital, um código binário, passível
de ser armazenado e manipulado pelo computador. No alvorecer
da Informática, à época da invenção
dos primeiros “cérebros eletrônicos”,
a idéia predominante era usar a computação
analógica, mais adequada às técnicas
matemáticas então dominantes. Com o tempo,
porém, a solução digital mostrou possuir
mais vantagens e, hoje em dia, substitui completamente o
uso de sinais analógicos no processamento da informação.
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Uma das
vantagens é a eliminação de ruídos
indesejáveis. Nos sinais analógicos,
como os produzidos por uma agulha de toca-discos,
por exemplo, o ruído provocado por arranhões
ou acúmulo de poeira no disco de vinil, é
interpretado como parte do som original. |
Mesmo durante o processo de gravação,
pode haver interferências não planejadas que
atrapalham uma audição fiel da obra musical.
Já nos sistemas digitais, capazes de entender apenas
dois números, qualquer sinal diferente do código
binário, quer dizer, qualquer coisa que não
seja zero ou um, é descartada. Por essa razão,
o som proveniente de um CD produzido digitalmente é
mais “limpo”, embora muita gente prefira ouvir
música com um som mais “sujo”, num disco
gravado pelo método analógico.
Outra vantagem do sistema digital em relação
ao analógico é a enorme capacidade de compactação
de dados. Como um sinal digital não passa de uma
seqüência de números, estes podem ser
compactados para reduzir drasticamente o tamanho do arquivo.
Para se ter uma idéia, a informação
armazenada em um CD-R com capacidade para 650 MB e cerca
de 12 cm de diâmetro, teria de ocupar todo um arquivo
de cinco gavetas, com, em média, 2.500 folhas de
papel por gaveta, totalizando 12.500 páginas de documentos.
E a tecnologia de armazenamento e de compactação
de dados não para de se desenvolver.
Com tamanhas vantagens, o mundo analógico vai sendo
convertido para o digital em ritmo acelerado. Quase tudo
que foi produzido em papel, acetato, filme, vinil, fita
magnética e outros suportes, está sendo digitalizado.
Quase todo o saber, acumulado pela escrita, imprensa, cinema,
fotografia, rádio e televisão, durante séculos
da história humana, está sendo armazenado
e disponibilizado, gratuitamente, para qualquer pessoa que
acesse a Internet, onde se estima que já existam
cerca de 100 bilhões de sites públicos.
Isso só é possível graças à
tecnologia digital, uma assombrosa revolução
que hoje permite realizar o antigo sonho de guardar todo
o conhecimento em um único prédio, como na
grande biblioteca de Alexandria, que, por volta de 300 a.C.,
chegou a abrigar cerca de meio milhão de pergaminhos.
A diferença é que, num futuro próximo,
quando todos os arquivos do mundo forem completamente digitalizados,
o fabuloso “prédio” poderá ter
o tamanho de um iPod, com inimagináveis 50 Petabytes
de capacidade.
Embora o mundo real ainda utilize uma quantidade excessiva
de papel, graças ao mundo digital não estamos
mais condenados a nos afogar num mar de celulose, o que
seria um irônico apocalipse. Para ter idéia
do destino que nos aguardava, basta dizer que, nos últimos
50 anos, geramos a mesma quantidade de informação
que nos 5 mil anteriores. E presume-se que esse número
irá duplicar nos próximos 2 anos. E que, em
2010, o volume de informação duplicará
a cada 11 horas.
Agora que temos onde armazenar tudo isso, esperemos apenas
que a qualidade não seja prejudicada por essa quantidade
vertiginosa de informação.
Em tempo, 50 Petabytes equivalem a:
51.200 Terabytes
52.428.800 Gigabytes
53.687.091.200 Megabytes
54.975.581.388.800 Bytes (quase 55 trilhões de bytes)