Reciclagem
31/05/2007 - 09:00
Artesãos mineiros transformam lixo em peças
utilitárias e decorativas
Sobras recicladas ganham espaço e valor, estimulando a geração
de emprego e ajudando a manter o equilíbrio ambiental
Simone Guedes
Miguel Aun
Cadernos artesanais ecologicamente corretos
Belo Horizonte - Papéis, restos de madeira, caixas
de leite, peças de carro danificadas e até o
ferro de passar roupa velho. Pelas mãos de artesãos
mineiros, materiais que antes iriam parar no lixo agora são
transformados em peças de artesanato.
"A preocupação com o meio ambiente tem despertado
a criação de produtos inovadores e originais
que estão ganhando mercado. No Estado existem grupos
de artesãos que produzem 90% das peças com
material reciclado", explica a coordenadora do Projeto
Artesanato do Sebrae em Minas, Sabrina Albuquerque.
Reaproveitar o que não tem mais serventia virou um
desafio para Willi de Carvalho, que cria miniaturas utilizando
caixas de fósforo vazias e retalhos de madeira. "Antigamente
fazia maquetes para cenários de teatro.
Com o tempo e a ajuda de uma oficina do Sebrae tive a oportunidade
de desenvolver minha criatividade. Com as caixinhas faço,
cenas de festas populares, como o Carnaval e as Congadas,
e com as sobras de madeira, monto os personagens", explica
o artesão.
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O investimento ecologicamente correto deu certo. "Vendo
as caixinhas por R$ 60 cada. Dependendo do tema, demoro um
dia inteiro para fazer uma peça", conta. Outros
materiais reutilizados por Willi são os rolos que sobram
dos papéis higiênicos, restos de laminado e até
de fita adesiva.
O artesão transforma esses materiais em ostensórios
– objetos onde se ostenta a hóstia consagrada
– e imagens sacras. As peças demoram quase três
dias para serem feitas e chegam a custar R$ 250.
Valor estético e social
No Catálogo Artesanato de Minas Gerais 2005/2006,
lançado no ano passado pelo Sebrae, objetos do Projeto
Tzedaká, desenvolvido pela Prefeitura de Belo Horizonte,
destacaram-se pelo valor estético e social. Cerca
de 60 jovens desenvolveram técnicas de produção
com o papel reciclado e com embalagens cartonadas (como
as caixas de leite longa vida).
"São adolescentes em situação
de risco social que aprenderam desde a processo de reciclagem
até a montagem de agendas, convites, porta-retratos.
O projeto gera trabalho e renda para catadores de materiais
reciclados ligados a doze cooperativas de Belo Horizonte,
além de reduzir o lixo que vai para o aterro sanitário",
informa a coordenadora do projeto, Nícia Mafra.
Até o ferro elétrico estragado serve de matéria-prima
para o artesanato. Em Curvelo e Araçuaí, 80
adolescentes de baixa renda da Cooperativa Dedo de Gente
reproduzem personagens, animais e paisagens descritas por
Guimarães Rosa utilizando sucata de ferro. "É
um resgate cultural, que envolve fatores econômicos,
sociais e o compromisso ambiental", conta a gerente
administrativa da cooperativa, Aline Fabrícia de
Souza.
De olho no mercado externo, Simone de Oliveira produz luminárias
com filtros de café usado. Ela foi uma das vencedoras,
no ano passado, do Prêmio Top 100 Artesanato, promovido
pelo Sebrae para destacar as cem melhores unidades produtivas
do setor no Brasil.
Depois de pesquisar outros tipos de papel como matéria-prima,
Simone percebeu que o filtro oferecia um efeito luminoso
diferenciado. "O material é tingido com o próprio
pigmento do café e depois entrelaço o material
com as grades de ferro, o que dá uma estética
especial aos produtos", conta a artesã, que
participará em julho deste ano de uma feira na Inglaterra.
Fonte: Agência Sebrae de Notícias
Serviço:
Cooperativa Dedo de Gente – (38) 3721-2327
Projeto Tzedaká – (31) 3222-8227
Simone de Oliveira – (32) 3741-6448
Willi de Carvalho – (31) 3278-3398
Assessoria de Imprensa Sebrae Minas – (31) 3371-9039/9236
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