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História de Mangaratiba Ilha de Itacuruçá
Muriqui Praia Grande Conceição de Jacareí Serra
do Piloto
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A ocupação das terras hoje compreendida
pelo Município de Mangaratiba teve origem ainda
no século XVI, por ocasião das desapropriações
das Capitanias Hereditárias. Essas terras pertenciam
então à Capitania de Santo Amaro, cujo donatário
Pero Lopes de Souza, pouco interessou – se por seus
domínios.O inicio do povoamento de forma mais sistemática
aconteceu anos mais tarde, por volta de 1620, quando Martim
de Sá novo donatário, mandou trazer índios
Tupiniquins já colonizados de Porto Seguro e estabeleceu,
sob a tutela dos Jesuítas, aldeamentos, primeiro
na Ilha de Marambaia e, depois, no continente na praia
da Ingaíba.
Por causa dos fortes temporais que assolavam a Ingaíba
e visando melhores condições físicas
e topográficas, a povoação foi transferida
em 1688 para o local onde hoje localiza –se o Núcleo
Urbano de Mangaratiba. Logo ergueu – se uma capela
dedicada à N. Srª da Guia, que existiu até
1785 quando iniciaram –se as obras para a construção
de uma igreja no mesmo local. As obras prosseguiram durante
dez anos e a igreja foi concluída em 1795.
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Apesar das constantes lutas travadas entre os índios
Tamoios, nativos da região, e os colonizadores,
o núcleo de Mangaratiba prosperou, tendo se tornado
freguesia em 16 de janeiro 1764. Porém, a despeito
do crescimento do povoado, Mangaratiba só conquistou
sua independência administrativa em 11 novembro
de 1831 quando foi elevada a categoria de Vila com a denominação
de Nossa Senhora da Guia de Mangaratiba. Até esta
data Mangaratiba pertencia ao Município de Itaguaí
ao qual estava subordinada desde 05 de junho de 1818,
quando foi criado o Município. Anteriormente Mangaratiba
estava vinculado ao Município de Angra dos Reis.
Com o desenvolvimento da economia cafeeira, principalmente
na região do médio Vale do Paraíba,
Mangaratiba ganhou um crescente movimento cumprindo seu
papel de porto escoador da produção de café.
Outra atividade importante, que proporcionou o enriquecimento
da região, foi o tráfico de escravos. Dos
pontos de desembarque do Sahy e da Marambaia eles eram
levados para o grande mercado do Rio de Janeiro e para
os outros centros urbanos do interior através da
íngreme trilha que levava ao Sertão depois
de ultrapassar a Serra do Mar.O tráfico de escravos
e ouro atraíam piratas das mais diversas procedências
tornando a vida da pequena localidade bastante agitada
e motivando a construção de diversas fortificações
como a Fortaleza de Nossa Senhora da Guia, hoje inexistente.
Do interior de São Paulo e Minas Gerais, afluíram
para o seu porto os gêneros a serem exportados,
basicamente o café, trazidos nos lombos dos burros
guiados pelos tropeiros das mais afastadas regiões
da serra acima. Ao retornarem levavam as mercadorias,
geralmente artigos de luxo, proveniente do Rio de Janeiro
ou do exterior.
A produção de café intensificou –se
tanto que as trilhas que desciam a serra eram insuficientes
para escoar a produção. Foi necessária
a abertura de uma estrada mais larga e com melhores condições
de circulação que ligava Mangaratiba a São
João do Príncipe (depois São João
Marcos). A estrada foi inaugurada em 1857 pelo Imperador
D. Pedro II, ficando conhecida posteriormente como “Estrada
Imperial”. No dizer de A . de Taunay foi a primeira
estrada de rodagem construída no Brasil”. |
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Muriqui - Mangaratiba Foto: Prefeitura
de Mangaratiba |
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Mangaratiba era um dos portos escoadores da produção
de café do Vale da Paraíba, atendendo a
demanda de São João Marcos e adjacências.
Angra dos Reis e Mambucaba escoavam o café produzido
na região de Bananal, Areias e Paraty, antes escoador
do ouro das Minas Gerais, agora escoava o café
proveniente da região de Guaratinguetá e
Cunha.
A construção da via entre Mangaratiba e
a Serra trouxe um maior desenvolvimento para a região,
bem como consolidou uma aristocracia local que empreendeu
a construção de diversos edifícios
como suas residências urbanas, igrejas, um teatro,
armazéns e trapiches.
Na época do maior progresso de Mangaratiba algumas
personalidades mereceram maior atenção por
parte dos historiadores. O primeiro foi o Comendador Joaquim
José de Souza Breves, abastado fazendeiro, dono
dos trapiches do Sahy e da Marambaia, proprietário
de mais de 6000 escravos e vinte fazendas, chegando a
produzir mais de 1% da produção brasileira
de café. Outra personalidade importante da história
local foi o Tenente – Coronel Luiz Fernandes Monteiro,
o Barão do Sahy, proprietário das fazendas
Batatal e Praia Grande e de um rico solar no Largo da
Matriz, hoje totalmente reformado e de outra casa assobrada
na Rua Direita, atualmente Rua Cel. Moreira da Silva,
que o Instituto Estadual de Patrimônio Cultural
denominou “Solar do Barão do Sahy.”
Porém, o período de riqueza e dinamismo
durou pouco. O fim do período de expansão
aconteceu pela conjugação de dois fatores.
Primeiramente foi a conclusão em 1870 da Estrada
de Ferro D.Pedro II, ligando Rio de Janeiro e São
Paulo, que possibilitou o escoamento da produção
de café do Vale do Paraíba diretamente para
o Rio de Janeiro. Em segundo lugar a proibição
do tráfico escravo e, posteriormente, a abolição
da escravatura desorganizaram a economia da região
baseada na exploração do latifúndio
e fortemente dependente da mão de obra escrava.
A decadência foi tão grande que o Município
de Mangaratiba foi extinto em 08 de maio de 1892, apesar
de ter sido restabelecido alguns meses mais tarde, em
17 de dezembro do mesmo ano. Os portos de Mangaratiba
e do Sahy ficaram desertos e inúmeras edificações
foram abandonadas, tais como os grandes solares, armazéns,
o teatro, conforme atestam as ruínas hoje existentes
no Saco de Cima e na Praia do Sahy. A estagnação
econômica foi total, sendo Mangaratiba um exemplo
de cidade nascida de uma rota comercial que não
tinha bases produtivas próprias que permitissem
uma autonomia. A atividade era apenas reflexo da produção
agrícola existente na região serrana e pereceu
diante do surgimento de novas alternativas produtivas
e comerciais.
A estagnação da economia e da vida em Mangaratiba
persistiu até 1914 quando foi concluído
o ramal da Estrada de Ferro Central do Brasil, que integrou
o Município no sistema ferroviário do Rio
de Janeiro. Posteriormente ocorreu um ligeiro progresso
econômico propiciado pela exportação
de bananas e pela construção de residências
de veraneio ao longo da linha férrea ou concentradas
em alguns núcleos urbanos.
Na década de quarenta deste século ocorreram
os grandes loteamentos na orla marítima como Muriqui,
Praia do Saco, Itacuruçá e outros e em 1942
foi aprovado o primeiro código de obras para o
Município.
A construção da rodovia Rio – Santos,
parte da BR – 101, nos anos setenta, trouxe uma
nova fase para o Município, com uma grande valorização
do solo urbano, bem como um incremento da construção
de residências de fins de semana e férias.
A nova estrada trouxe ainda diversas atividades ligadas
ao turismo um processo de ocupação de áreas
até então inacessíveis e desertas.
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mais<<
Fonte: Secretaria Municipal de Turismo de Mangaratiba
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